Casas sustentáveis são a tendência do futuro

Se há 10 anos a consciência ambiental nos lares se limitava à reciclagem de lixo e à economia de energia elétrica e água, hoje é cada vez mais viável viver ou trabalhar em um imóvel totalmente sustentável, com baixo impacto no meio ambiente.

Graças aos avanços tecnológicos e à busca por um estilo de vida mais equilibrado nas grandes cidades, o mercado de construção civil oferece atualmente incontáveis soluções ecológicas, desde revestimentos até captação de recursos naturais.

“Temos visto uma tendência na última década de famílias que se preocuparam em viver e oferecer aos filhos experiências sustentáveis. Existe hoje uma procura maior por apartamentos de médio e alto padrão com soluções ambientais”, disse à ANSA Ana Rocha Melhado, professora titular do Curso de Engenharia Civil e Coordenadora da Pós Graduação em Construções Sustentáveis da FAAP e sócia-diretora da proActive Consultoria.

“Além disso, existe uma maior conscientização internacional. A mídia está muito focada em alimentação mais saudável, espaços externos, comidas orgânicas. Toda essa preocupação com o corpo leva à aquisição de um imóvel sustentável”, acrescentou.

Segundo a especialista, para se projetar um imóvel sustentável, é preciso considerar três pilares: gestão de energia, de água e de resíduos. Para cada item, Melhado elencou as medidas que podem ser adotadas no projeto.

Para a gestão de água, a professora indicou a instalação de bacias dual flush, torneiras com arejadores e restritores de vazão, torneiras com fechamento automático, medição individualizada de água, válvulas redutoras de pressão e sistema de aproveitamento de águas pluviais.

Na gestão de resíduos, a recomendação é criar áreas de armazenamento que já dimensionam para a coleta seletiva, com ponto de água, ralo sifonada e revestimento adequado para facilitar a limpeza. Além disso, é possível instalar containers adequados e praticar a compostagem (técnicas para estimular a decomposição de materiais orgânicos).

Para a gestão de energia, a especialista recomendou um projeto que avalie a eficiência energética do imóvel, monitorando o consumo de energia em kWh/m²/ano e estabelecendo metas.

Melhado sugeriu ainda a adoção de sistemas de energia por fonte renováveis (eólica e solar) e a busca pela orientação solar do imóvel, potencializando a iluminação natural.

No entanto, os imóveis que já estão construídos podem se beneficiar fazendo alterações pontuais em estruturas físicas e em eletrodomésticos.

“Trocar todo o sistema de iluminação (lâmpadas), todos os chuveiros, torneiras e bacias sanitárias é um gesto econômico que já resulta em uma significativa economia de água. Se a pessoa tiver um pouco mais de recursos para investir, sugiro a criação de um sistema de reaproveitamento de água da chuva, mas com apoio de um profissional”, orientou Melhado.

De acordo com ela, a troca de geladeiras, máquinas de lavar, ferro elétrico e chuveiros elétricos também potencializam a gestão de energia e água.

“Se você fizer tudo isso, com um uso consciente de água e energia, já reduzirá em torno de 30% a 40% o consumo de água, e de 20% o de energia”, prometeu.

 

Energia renovável

Uma das soluções mais conhecidas e que mais tem se difundido no mercado, porém, é a instalação de painéis solares.

“Qualquer casa pode ter um painel solar. Certos municípios ou imóveis possuem maior radiação solar, mas todo lugar tem radiação. Para uma residência, geralmente a área do telhado já é suficiente para implantar um sistema de painel solar capaz de suprir a demanda energética da família”, disse à ANSA Surya Mendonça, CEO da Órigo Energia.

O uso dessa tecnologia será tema de vários debates da Ecoenergy 2019 (Feira e Congresso Internacional de Tecnologias Limpas e Renováveis para Geração de Energia), que ocorre em São Paulo, entre os dias 21 e 23 de maio. O evento é organizada e promovido pela Cipa Fiera Milano e, neste ano, discutirá tanto os modelos de financiamento de painéis solares até a gestão de projetos, retorno dos investimentos e o uso eficiente dos painéis fotovoltaicos.

De acordo com Mendonça, o investimento mínimo para a instalação de um painel solar é de cerca de R$ 10 mil em imóveis pequenos ou com até dois moradores.

“Muitas empresas já oferecem o projeto e a instalação, assim como a ligação com a empresa de energia elétrica”, explicou. “O investimento é recuperado ao longo dos anos, com a economia de energia elétrica. Quando o imóvel apresenta excedente da energia produzida pelo painel solar, esse excedente é jogado na rede de distribuição e revertido em crédito ao consumidor”, explicou.

Como os painéis solares exigem um investimento prévio, empresas do setor, como a Órigo, também começaram a pensar em soluções mais simples e econômicas para os consumidores.

Uma delas é a “fazenda solar”, que oferece “aluguel” de painéis solares. “Podemos fazer uma analogia de quando você aluga uma casa. Para viver nela, você apenas paga o aluguel, não precisa fazer investimentos. Com isso, o consumidor tem acesso a painéis solares em forma de aluguel, os quais gerarão uma economia de cerca de 10% na conta de energia”, disse Mendonça, ressaltando que o modelo já está sendo testado em Minas Gerais.

“Instalar painéis solares é um investimento, e não é a opção mais barata. É um investimento com retorno de médio e longo prazo. Como o modelo de aluguel pode ser mais acessível, a expectativa de mercado é boa”, ressaltou Mendonça, da Órigo.

Para Melhado, o alto custo dos investimentos em projetos sustentáveis é o maior obstáculo do setor. “O mercado espera a criação de uma linha de financiamento para compra de placas solares e outros sistemas. Seria importante ter uma politica pública, assim como já foi feito com eletrodomésticos de linha branca”, afirmou a professora da FAAP.

“O Brasil está entre os países com maior número de construções sustentáveis no mundo e ocupa a 4ª posição, com grande concentração de imóveis no eixo Rio – São Paulo, mas muito voltados ainda para edifícios corporativos. De todo modo, os empreendimentos habitacionais começam a despontar como uma tendência. Temos muito trabalho pela frente e acredito fortemente no papel da educação para quebramos as barreiras e visualizarmos de fato uma mudança cultural”, concluiu a especialista.

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Fonte: Procel Info

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